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O termo “hipnose”, que tem sua origem no grego hypnos, sono, de fato nada tem a ver com o ato de dormir, a não ser sua aparência em alguns casos.
O transe hipnótico pode assemelhar-se a uma distração, quanto avizinhar-se ao aspecto de atenção profunda, alheiando-se o indivíduo daquilo que ocorre ao seu redor, tal como o registro da atividade cerebral pela ressonância magnética revela.
A aparência eventual de sono é ilusória e não constitui atributo obrigatório do transe hipnótico, que pode estar presente e efetivo em alguém, sem ser reconhecido. É errônea a idéia, ainda vulgarizada, de que o hipnotizado fique inteiramente sob o domínio do hipnotizador. Só é capaz de ser subjugado por um hipnotizador quem for suscetível de ser dominado por qualquer outro modo de sugestão.
O transe hipnótico é um fenômeno subliminar ao estado da consciência experimental comum, sem prejuízo das funções normais desta.
Na clínica, a rigor, o que se consegue sob hipnose também pode ser obtido sem ela, embora, em alguns casos, de maneira muito mais difícil, como o afloramento de traumas recalcados ou de disposições inatas ainda não conscientizadas. Devido a isto, a hipnose tornou-se excelente coadjuvante e facilitador da atividade psicoterapêutica em geral, qualquer que seja seu fundamento teórico ou procedimento técnico.
Nas primeiras décadas do século passado, a psicanálise contribuiu para que a hipnose fosse colocada na penumbra da prática clínica. Hoje, pelo reconhecimento e aceitação do que o transe hipnótico representa de ajuda ao acesso e manejabilidade dos estados de consciência e seus conteúdos, número crescente de psicanalistas tem retornado a ela nas psicoterapias, que não têm de renegar, por isso, os conceitos teóricos que as orientam. Estes são um roteiro. E a hipnose, um dos principais veículos ao seu alcance prático.
Na psicoterapia, cada cliente apresenta desdobramentos diversos pelo caráter único da mente de cada pessoa, com sua estrutura inata inconfundível e as experiências vividas. O emprego do transe hipnótico, hoje, nas psicoterapias, talvez seja verdadeiro modelo de "retorno do recalcado". Vista, por certo tempo, como inútil ou até prejudicial, a hipnose foi redescoberta como valiosa. No campo da ciência, vale a pena deter-se o bastante para apurar o antigo à luz daquilo que se renova, para auferir o lucro daí resultante.
Os conceitos válidos no campo da psicoterapia se enriquecem pela prática clínica, em sua aliança com o transe hipnótico. Há interesse legitimo em poder comparar o conteúdo daquilo que se chama de "inconsciente" e do que a "plena consciência" nos oferece em suas manifestações comuns e no estado de transe. O todo é precioso e amplo domínio de pesquisa e prática. Sua indagação científica inclui as experiências de laboratório, as vivências espontâneas e os fatos clínicos.
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